sábado, 11 de outubro de 2008

Consulta

A primeira coisa que ouço ao entrar no consultório é:
"Sente-se"
Me sento e espero a tempestade.
"Bom"ela diz "Conte-me tudo"
"Me ajude" eu digo."como posso ajudá-lo?""entretendo-me, prenda minha atenção, seja original. Caso contrario vou sair por aquela porta."
"Ta, Vou tentar"Se levanta e pede que eu a siga, e eu sigo. Vou com ela até a varanda e acendo um cigarro.encostada no parapeito ela pede que eu conte o que quero.Então eu começo.
"As pessoas, elas não me interessam. Já perderam a graça.Tudo que tenho hoje é o tédio.Esse é o preço por querer analisar tudo, por descobrir.Tudo que as pessoas se preocupam , é em contar sobre seu maldito passado. O passado delas não me interessa, nem um pouco.São raras as vezes que são engraçadas, durante todo o resto do tempo são medíocres."
Ela me observa por cima dos óculos e em seguida me pergunta:
"O que quer delas então ?"
"Que me surpreendam,pelo menos um pouco de ironia, nada daquela tentativa frustrante de sarcasmo.Não percebem que isso é privilegio dos imaginativos?
Peço que parem de rir daquilo que não conhecem, que saibam escutar e analisar,saibam discutir e não retrucar! O problema é:Estou me afogando em tédio, Esse maldito câncer da racionalidade! minha imaginação já não me entretém..quero um pouco de euforia.."
"E como faz para suportar esse tédio?"Ela pergunta.
"Eu bebo" respondo, por que se já não posso conhecer alguém que tenha uma consciência alterada e original, então altero a minha"
"Desculpe" ela diz"Mas não sei como ajudá-lo"
"Tenho uma leve ideia"Digo e em seguida fecho a porta atrás de min.

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